Sobre o sentimento de solidão

16 set


Vou te excluir do Facebook é o mais novo cortar relações. Existe por trás disso toda uma formalidade inclusive. Remover um “amigo” pode causar um mal estar real, se for um mero conhecido ele pode levar para o pessoal, se for paranóico então vai cogitar inúmeras conspirações, pode até mandar mensagem privada cobrando explicações. Pode deixar alguém chateado porque subtraiu a quantidade de “amigos”, o que muitas vezes, pode ser , muito significante, já que por ali se mede o nível de popularidade.

Já vi inclusive casos de exclusão por mágoa. Mas nada como o tempo para apaziguar as idéias e alguns dias depois vir aquele pedido de solicitação de amizade e tudo estaria resolvido. Já vi também bruscas mudanças de vida, seguidas de uma reforma no quadro de amigos do Facebook. Eu particularmente não tenho nada contra as redes sociais, Apps e Smartfones. Hora mais hora menos, você termina fisgado por eles e de certa forma termina aproximando e facilitando a comunicação entre as pessoas, trazendo um pouco mais pra perto quem está longe.

É um mal necessário? Não sei. Poderíamos viver sem eles? Também não sei. Já faz um tempo que me cansei de ter um espírito jovem “do contra”. Da filosofia do “não se deixar levar pelas convenções da sociedade”, em fim, faz um tempo que passei a me deixar levar pelas minhas convenções e não me preocupar com as dos outros.

De qualquer forma todo esse arrudeio é mesmo para falar sobre o sentimento de solidão. E sobre ele, as redes sociais, se apresentam como um dispositivo que tenta desempenhar um papel importante para suprir nossas carências. O que me faz pensar em um paradoxo interessante de nossa sociedade: Quanto maior a aglomeração de pessoas em uma cidade, maior a sensação de isolamento. E aí vamos nos apegando ao universo virtual para continuar-mos conectado de alguma forma.

Isso seria normal, se estivesse-mos lidando bem com isso. Algumas pessoas inclusive estão, mas a quantidade de livros de auto-ajuda nas estante das livrarias com títulos muitas vezes hilários como: Solidão quem é você? Ou Enquanto o amor não vem, sem falar nos sites de relacionamento que estão entupidos, só me sugerem que existe muita gente se sentindo só.

Isso pra mim é normal, as pessoas querem compartilhar sua vida com um companheiro. O que me assusta é que muita gente busca alguém não para amar, mas para aplacar o sentimento de solidão que gera uma ansiedade inexplicável, gente que se dedica as redes sociais tentando se preencher, a medida que o numerosinho de amigos do “face” aumenta. E quando a pessoa que está ao seu lado, nem a quantidade de amigos virtuais ou reais supre essa carência?

Podemos nos referir então a um sentimento de solidão interior, que independe das circunstancias externas e que, em certa medida, é normal a todas as pessoas. Cresce a partir de uma vontade que se tem de atingir um estado próprio de perfeição, de buscar uma idealização pessoal inalcançável. No caso da solidão interna, por mais amor que você receba, por mais amigos que você tenha algo vai sempre estar faltando. Na verdade a questão está muito mais na maneira de lidar com a falta do que na busca de alguém.

As formas como essa falta e a solidão são vivenciadas são consideravelmente individuais. Não existe uma formula, nem tampouco tenho a ousadia de trazer respostas. Mas podemos refletir sobre as dificuldades que temos em lidar com aquilo que está disponível, sem que exista, uma necessidade quase voraz de concretizar nossos desejos por gratificações inalcançáveis.

Daí a dificuldade de lidar com as frustrações e renuncias. É possível desejar, mas, muitas vezes, é impossível ter tudo o que desejamos. Essa ansiedade bloqueia o acesso a gratidão sobre aquilo que possuímos, e essa gratidão é profundamente necessária para o crescimento da satisfação, que tornará possível para esse sujeito construir a base da generosidade. Existe uma ligação tênue entre a capacidade de aceitar e dar.

Todos nós vivenciamos a solidão e, de alguma forma, precisamos vivencia-la para construir a criatividade essencial que nos move para vida. O vazio existe para que a busca seja construída. A pessoa que vivencia com ansiedade essa solidão interna, encontra-se em uma busca eterna, muitas vezes, sem nem saber o que busca. Se impossibilitando de doar, tornando-se incapaz de receber. Consequentemente incapaz de construir relações consistentes e reais.

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Uma resposta to “Sobre o sentimento de solidão”

  1. Paula Reis 16 16UTC setembro 16UTC 2011 às 21:11 #

    Eu gostei demais desse texto. Muito bom ler algo que é vivido em tantas fases de tantas maneiras.
    Parabéns!

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