O outro lado da primavera!

23 set

É bastante provável que a curiosidade seja uma características inata ao ser humano, uma necessidade de saber das coisas e obter respostas. Claramente vemos essas características nas crianças, a fase onde fazem perguntas sobre tudo e consequentemente ficam mais abertas a criatividade e ao pensamento fantástico. Elas ainda não sabem as respostas que temos.

Estou falando aqui de questões básicas sobre o que é a vida, de onde viemos, para onde vamos? Graças a essa curiosidade, hoje temos as respostas para algumas dessas questões. Para outras ainda existem muitos curiosos procurando. Sabemos como funcionam as estações do ano e suas funções na natureza.

Mas, milhares de anos atrás, outros povos, igualmente humanos e consequentemente curiosos, deviam se fazer as mesmas perguntas, cujas respostas ainda não tinham. A natureza era um grande mistério. Imaginem olhar para todas aquelas estrelas no céu e não ter a mínima idéia do que eram aqueles pontos brilhantes. Esses povos indefesos, diante da grandeza natural, criavam mitos e rituais como forma de tentar explicar, e talvez, encontrar uma ordem dentro do caos que se constitui o estranho, o misterioso.

Embora os mitos gregos sejam extremamente fantásticos sua essência é extraordináriamente humana. Não é a toa que muitas dessas histórias chegaram ao nosso tempo e ainda nos fascinam. São fontes, desde Freud, de interesse da psicanálise como forma de compreensão dos processos inconscientes e, frequentemente, inclusive pelo senso comum, seus personagens são usados como forma de descrever a personalidade de uma pessoa.

Também usamos denominações do grego para dar nomes as descobertas científicas, porque, afinal de contas, foi por lá que a ciência deu seus primeiros passos. Acreditem que uma das primeiras explicações para a existência das estrelas no céu, era a de que essas, seriam rastros do leite da deusa Hera, madrasta de Hércules, que se negava a amamenta-lo. Quando ao acordar viu que alguém havia colocado o bebê em seus seios levantou de supetão deixando um caminho de leite derramado pelo céu formando um conjunto de estrelas que até hoje chamamos de Via Láctea, ou seja, caminho de leite.

Para nós as estrelas são grandes luminosas esferas de plasma com luz própria e as estações do ano servem para saber o momento de tirar determinadas roupas do armário ou organizar as férias. Nesse sentido, sinto pena de não ter, um pouco que seja, um contato tão próximo da natureza como tinham os gregos, e de como suas explicações sobre as coisas eram muito mais românticas.

Hoje começa a estação do ano que conhecemos como primavera. Sabemos que é a estação das flores. Para os gregos não, essa época do ano era a época da colheita e o momento em que mãe e filha se reencontravam. Demeter, deusa da fertilidade, e Perséfone, sua filha, eram muito próximas. Porem Zeus, pai de Perséfone, já havia prometido sua filha a Hades, deus dos mortos. Sabendo que Demeter jamais iria consentir separar-se da filha, pois os dois reinos jamais coexistiam, Zeus criou um plano. Enquanto Perséfone caminhava com umas amigas, ele fez brotar do solo um lindo narciso, encantada com a flor ela se separou das outras e abaixou para pega-la, nesse momento Zeus abre uma fenda no solo e rapidamente Hades agarra Perséfone e a leva para baixo.

Quando Demeter descobre sobre do seqüestro da filha fica desesperada, sem comer e sem beber por dias, desceu do Olimpo e vagou através do mundo, assolando a terra de seca e fome. Zeus, inquieto, vendo a terra tornar-se pouco a pouco estéril, entendeu que se não fizesse nada para acalmar Demeter, os deus não mais receberiam suas oferendas.

Ele então, concordou em trazer Perséfone de volta, desde que ela não tivesse comido nada durante sua permanência no inferno, pois, qualquer um que bebesse ou comesse algo ali, deveria ser prisioneiro para sempre. Hades consentiu em separar-se de Perséfone, mas antes que ela fosse embora, lhe deu uma romã. Ao voltar para o lado de sua mãe, ela depois admitiu que havia comido algumas sementes.

Assim, Zeus decidiu que ela deveria passar metade de cada ano em cada reino. Enquanto as sementes estivessem enterradas no chão, brotanto e amadurecendo, Perséfone viveria com a mãe. Uma vez que os grãos fossem colhidos e armazenados , iria reunir-se ao marido, e o solo ficaria árido e estéril.

Assim surgiu, para os gregos, a primavera. Uma vez que a filha vinha se encontrar com a mãe, esta, já estava esperando com folhes, haveria frutos a serem colhidos e fartura. E não é assim cada vez que chegamos na casa de nossas mães e avós? Até hoje primavera significa começo, chegada e as flores são símbolo de delicadeza e feminilidade. O ritual de jogar o buquê no casamento, significa que a moça que pegar as flores vai ser a próxima a se casar, assim como Perséfone pegou o narciso e foi levada por Hades.

Podem ser infinitas as relações que podemos fazer sobre esse mito. Mas, o mais importante é não se deixar levar pelo cotidiano e terminar perdendo o hábitos que um dia tivemos quando crianças de questionar, fantasiar sobre as coisas, buscar respostas e se deixar maravilhar com as pequenas coisas que a vida nos proporciona.


Boa Primavera a todos!!!

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