Em nome do pai, do filho e de Steve Jobs Amém

7 out

Steve Jobs, idealizador da Apple, faleceu na metade dessa semana. O google lhe prestou homenagem em sua homepage. Fotos da maçã se espalharam com fundo preto. Muitas pessoas, nas redes sociais, lhe prestaram homenagens com fotos do mesmo estilo. O mundo virtual entrou em luto!

Acho que foi a primeira vez que presenciei, com plena consciência do que isso significa, uma comoção social e um sentimento de perda por um ícone da tecnologia e símbolo do desejo de consumo. Steve Jobs tornou-se um ídolo, e como todo ídolo influenciou uma massa.

Neste sentido, massa não significa uma quantidade X de pessoas. Me refiro a uma massa psicológica. Formada por indivíduos de várias culturas, ocupações, tipo de vida, caráter, diferentes ou semelhantes, mas pelo simples fato de compartilharem um pensamento em comum, como bem descreveu Le Bon, tornam-se possuidores de uma alma coletiva.

Os Apple maníacos se juntam em verdadeiras romarias em direção as principais lojas de eletrônicos do mundo na expectativa de colocar as mãos o quanto antes no mais novo gadget de Jobs. Tornam-se uma legião dos que não vivem sem Ipods, Iphones e Ipads. De fato a Apple foi, e é, revolucionária. É possível fazer uma divisão do mundo antes e depois dos Igadgets.

Steve Jobs percebeu muito cedo sua criatividade e seu poder de influência. A cada palestra que ele dava sobre o lançamento de seus produtos, o fazia parecer um messias pregando sobre o futuro da humanidade. Exageros a parte, Jobs percebeu uma coisa fundamental: a massa é impulsiva, vulnerável e excitável.

E quando se vive em uma sociedade onde os bens de consumo possuem um juizo de valor sobre a personalidade, vender produtos, como os da Apple: bonitos, inovadores, caros, modernos e funcionais, ficou mais fácil que dar um control c, control v.

Essa massa, com quem falava Steve, é formada pelos típicos cidadão da contemporaneidade, os neonarcisistas. Que constroem as relações interpessoais priorizando a imagem em detrimento do sujeito. A palavra ou o dialogo, perde relevância como suporte de pensamento e da subjetividade em detrimento da aparência.

Ter no bolso um Iphone, portanto, significa muita coisa. Status, inclusão e jovialidade, são apenas alguns deles. Ao mesmo tempo, essa estrutura narcísica promove uma necessidade de satisfação imediata e intolerância a frustrações. Que possivelmente se sobrecarregam em torno das propagandas de consumo.

Isso me faz lembrar dos episódios de saques as lojas ocorridos em Londres e que a imprensa, propositalmente ou ignorantemente, tratou como casos isolados de violência promovidas jovens vândalos. Eu já penso que vivenciamos o que há algum tempo não acontecia. Uma manifestação radical de pessoas que sentem a mesma necessidade que nós, que temos nossos Ipods no bolso. A de ter um objeto igual e ser um igual em nossa comunidade.

Assim como se deu o estopim da revolução francesa quando as pessoas não tinham mais pão para comer e a corte de esbaldava em farturas. Pão era uma necessidade básica na época e o que é um Ipod ou Iphone hoje? O que a todo momento as propagandas do mundo todo nos estiga a possuir? Mostrando as maravilhas que os gadgets podem te oferecer e o que você pode se tornar com eles.

Em algum momento atos como os que aconteceram em Londres iriam ocorrer e podem se transformar em algo maior. O capitalismo não iria passar ileso, assim como outras estruturas sociais não passaram. Não estou sendo contra o sistema ou dizendo que Steve Jobs foi um cara do mau, até porque nesse exato momento meus dedinhos apertam as teclas de um MacPro. Eles são fatos, estou apenas refletindo sobre.

Jobs foi um dos grandes lideres do capital, e assim como um lider levou uma massa junto consigo. Foi constituída em torno de sua pessoa uma idéia, uma abstração e uma simbolização de sua marca. Uma tendência comum, um desejo partilhável por um grande número de pessoas. Esse estado de ícone sobre sua figura, fez com que muita gente se comovesse com sua morte. Deixou levas de pessoas se questionando: e agora?

Não sabemos o que vai acontecer com uma sociedade capitalista onde existem desigualdades sociais, meu pensamento é sempre otimista. Também não sabemos o que vai acontecer com a Apple. Uma coisa talvez seja certa, provavelmente, as próximas gerações se lembrarão muito mais da maça mordida de Jobs do que a que Eva fisgou no paraíso.

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Uma resposta to “Em nome do pai, do filho e de Steve Jobs Amém”

  1. cicero 8 08UTC outubro 08UTC 2011 às 11:11 #

    Sensacional!

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