“Forever Alone”

16 mar

Parem! O mundo está em crise. Sabe aquele papo fiado de calendário Maia, números e conexões que apontam o fim do mundo para o fatídico ano de 2012, conspirações e teses sobre se seremos engolidos por água, fogo, terra ou abatidos por um enorme asteróide. Balela! O que tem me parecido mais viável é a extinção da humanidade por entraves na procriação da espécie.

Vejam o movimento de paises como Canadá ou Austrália que facilitam imigração de casais com filhos na intenção de povoar suas cidades, o número de pessoas idosas em muitos outros lugares chega a ser maior que o de jovens. É mais ou menos o fenômeno que acontece com os pandas.

Segundo pesquisadores, parecia haver um grande problema de desencontro. O cio das fêmeas era curto e o período fértil menor ainda. Como eles viviam em florestas asiáticas enormes o encontro muitas vezes não rolava no momento certo. Decididos a observar os pandas em um cativeiro chegaram a conclusão que rolava mesmo um certo desinteresse no ato do acasalamento ou eles pareciam não saber como fazê-lo.

Exageros e brincadeiras a parte, tenho escutado muitas histórias ou estórias que dariam uma perfeita analogia com o contexto dos ursinhos. O chavão “forever alone” acompanhado de fotos e charges que fazem piada com os solteiros. As reclamações dos amigos sobre como está difícil encontrar alguém.

Existem as mulheres solteiras loucas a procura de sexo casual, homens carentes a procura de um amor, aqueles que assistem mais de uma vez o filme 500 dias com ela. Mulheres que querem um “date” ao menos para começar, homens que procuram e não acham essas mulheres ou quando se esbarram: não rolou um feeling!

A coisa tá difícil. São eles que, assim como os pandas, nos grandes bolsões florestais, não se esbarram nos lugares possíveis das grandes metrópoles ou mesmo quando colocados em cativeiros, algo do tipo: amigos casados chamam amigos que poderiam ser um casal em potencial, arrumam uma festinha em casa e constatam, assim como os cientistas, o desinteresse ou eles queriam, mas pareciam não saber como fazê-lo.

Parece mesmo que o afastamento, essa falta de jeito ou os receios de lidar com o outro é uma característica de nosso tempo. As relações superficiais, a falta de intimidade, o individualismo são os sintomas de pessoas que se escondem. Espaços urbanos que antes eram espaços de socialização tornam-se espaços de transeuntes que se cruzam, se esbarram e passam batido.

As redes sociais estão esbarrotadas de crachás. Lá dentro é possível identificar as pessoas, mas não reconhece-las. Espaço virtual de socialização entre personas. Lá dentro nos apresentamos como queremos ser vistos, sob a expectativa de direcionar o olhar de nosso público. Pergunte a alguém que lhe conhece superficialmente na vida real, mas que vê seu perfil na rede, sobre como ele a descreveria. Ou faça você mesmo essa reflexão sozinho e sincero, e repare se de fato quem está ali dentro é sua persona ou sua pessoa.

São sintomas de pessoas que se escondem, que se escondem delas mesmas. Que idealizam a si e aos outros e de tanto idealizarem ficam só idealizando. Presos na nossa própria floresta asiática tão perto e tão distante uns dos outros, por medo, receios, expectativas, acomodações ou inseguranças terminamos realmente sem conhecer.

Fingindo não ver que o contato com o outro é muitas vezes fundamental para descobrir quem é essa pessoa na frente do espelho. Falando nesse assunto é impossível não lembrar do filme Um conto chinês. O personagem principal é um argentino, completamente sozinho e ranzinza que termina acudindo, a contra gosto, um chinês perdido na cidade. Louco para se livrar do hospede sem conseguir, o remorso não deixava, termina estabelecendo com o estranho uma relação e descobrindo, através do chino, sua verdadeira personalidade.

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