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Vivendo em tempos exponenciais

19 mar

Na matemática um número exponencial significa o número de vezes em que um outro número será multiplicado. Na teoria da evolução foi mais ou menos o que aconteceu com as células, com os animais e com os humanos. Para exemplificar: uma família formada por duas pessoas geram dois filhos, cada um desses filhos um dia se casa e, se cada um tiver 2 filhos, serão mais 4 seres humanos. Carl Sagan em seu último livro: Bilhões e Bilhões , dialoga sobre a vida e a morte: do planeta, do Universo, do ser humano coletivo e individual. Em uma das passagens ele diz que o costume de falar sobre “milhões e milhões de coisas” num futuro próximo se transformaria na expressão “bilhões e bilhões” porque o mundo, os homens e o pensamento se multiplica de forma exponencial ininterruptamente.

Atualmente tem se falado de tempos exponencias. Uma aceleração, multiplicação ou expanção do tempo no espaço através, não só da rapidez dos transportes em espaços físicos, mas das informações em redes virtuais. No link abaixo o texto: Tempos Exponenciais na Era Digital

As barreiras de tempo e espaço se quebram, não através de dimensões concretamente físicas, mas atravessando os espaços virtuais, o que faz com que a nossa relação de tempo seja completamente diferente da época em que nossos bisavós se comunicavam por cartas ou quando tinham que esperar meses para saber notícias do exterior. Nossa geração se acostumou ao imediatismo ao novo, ao fácil, ao momento. Percebi que essa mudanças que, talvez chegassem com a ilusão de nos proporcionar mais tempo ocioso e de descanso, só aumentam nossas horas ativas. Ao menos, é essa a minha experiência vivenciada em tempos exponenciais, quanto mais conhecimento eu posso acessar, quanto novidades aparecerem, um tanto mais minha curiosidade vai despertar.

Quanto mais se vive, melhor se morre

2 dez

A expectativa de vida no Brasil aumentou em 11 anos. Isso significa que estamos mais saudáveis, que as tecnologias e estudos sobre a saúde estão evoluindo e favorecendo que o homem desfrute de muito mais tempo no planeta. Algumas preocupações filosóficas rodeiam esse tema, aumento populacional, obviamente, e outra questão um pouco mais abstrata: a maneira com que o homem dialoga com a natureza e a forma com que ele se relaciona com o desgaste natural de seu corpo é saudável?

Eu não me considero ainda madura o suficiente para expor uma opinião consistente sobre o assunto. No entanto, já vivenciei a passagem da velhice até a morte com um parente próximo, por mais descrente, em termos místicos e religiosos, que você seja existe uma compaixão, criam-se dúvidas e questionamentos sobre a vida e a morte e em fim o luto.

Faz parte de todo um ritual de passagem, que exige muita preparação e amadurecimento de todas as partes. Já ouvi milhares de coisas lindas sobre a vida. De como, o fato de cada um de nós estarmos vivos, faz parte de uma coincidência estupidamente, gigantescamente laboriosa. Matéria se explode, uma via láctea se constitui, nosso planeta fica exatamente em um lugar que possibilita a existência de vida, uma sociedade inteligente se constitui seus pais se conhecem, se relacionam e você nasce. Parece loucura, mas é um fato, é um milagre ou seja lá como você nomeia isso.

A vida é uma coisa extraordinária. Pode ser que por isso, pensar em morte ou refletir sobre ela seja tão difícil para nós. Mas ela existe tanto quanto a vida e faz parte de uma ferida narcísica que carregamos sempre. Sabemos que vamos morrer e nada podemos fazer sobre isso. Tanto quanto admiro as pessoas que se encantam e poetizam a vida, terminei admirando igualmente aquelas que aceitam seu lugar de mortais. Não tem nada a ver com se entregar, mas de encarar uma realidade de maneira leve que só quem amou a vida pode fazer.

Uma elas foi Carl Sagan, cientista e astrônomo americano, mais conhecido popularmente por ter apresentado o programa de televisão Cosmos na década de 80. Em seu último livro: Bilhões e Bilhões (Ed. Companhia das Letras), ele reúne diversos artigos dos mais variados temas sobre o planeta, o Universo, o ser humano coletivo e individual etc. Em fim, no ultimo capítulo, que ele escreve no hopital, enquanto luta contra uma doença, Sagan faz uma reflexão maravilhosa sobre a vida e a morte.

A outra foi Sigmund Freud. Essa semana caiu em minhas mãos a sua ultima entrevista. Não sabia, mas ele morreu em sua casa de campo, o único bem que lhe restou após a Segunda Guerra. Como judeu perdeu muita coisa para a Alemanha nazista e nunca foi reconhecido em seu país. Terminou sua vida no mesmo lugar em que nasceu.

Ambos falam da morte sem ressentimentos e com uma tranqüilidade em suas falas que só quem viveu plenamente pode ter essa postura diante desse fato inevitável. Segue o link (http://www.sbpsp.org.br/default.asp?link=freud) para a entrevista, o livro quem tiver interesse vai ter que da um pulinho na livraria.