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As manifestações e os resquícios da ditadura!

14 jun

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A sociedade herdou muita coisa da Ditadura, como o medo, um ensino medroso e uma geração sem memória. Através do decreto 477 feito na época do AI-5, o governo militar suspendia alunos da faculdade. Era uma ação proposital com o intuito de restringir o conhecimento, ou seja, limitando o conhecimento o estudante não teria capacidade critica nem contestadora. São 28 anos sem ditadura, menos de uma geração e ainda não vivemos uma democracia plena, a maioria dos nosso jovens ainda não tem direto a uma boa educação.

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Manifestação SP -José Patricio Estadão Conteudo (1)

Durante os anos de comando militar qualquer tipo de manifestação popular era abafada através da força bruta. Ao incitar medo os militares faziam com que o número de pessoas nas ruas diminuíssem. Durante esse tempo o Estado, torturava, assassinava e banalizava a violência sem se preocupar com as conseqüências. Hoje vemos as forças de segurança pública querendo, através da força, calar lideranças populares.

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Já vivemos no Brasil com medo da violência e querem que a gente viva também com medo de exigir nossos direitos. A polícia precisa mudar sua filosofia. A policia não deve exercer o seu poder para reprimir, violentar ou coagir os cidadãos. O Estado não deve funcionar para sugar do povo seu trabalho, seu lazer e seu dinheiro enquanto os governantes vivem esbanjando e estourando os cofres públicos. Isso é prática ainda mais antiga que a ditadura, é do tempo em que o mundo vivia sob monarquias.

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Se iludem aqueles que acham que essa manifestação se reduz aos 20 centavos das passagens. Esse grito é um grito de desabafo, são os jovens e os adultos que não viveram a ditadura, mas vivem tudo aquilo que restou dela. O pouco caso com a educação, o pouco caso do Estado, o pouco caso com a democracia. Foram 28 anos digerindo o final da luta conta o golpe militar e agora parece que a tolerância chegou ao fim.

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Entrevista Joyce Macdougall

21 nov

Psicanalista neozelandesa radicada França, Joyce Mcdougall tem seis livros publicados e traduzidos para diversos idiomas. Ligada ao teatro desde criança por causa de
seu avô, que organizava tradicionais peças no final de ano, se manteve ligada a ele durante a universidade e trouxe essa herança para seus textos e pensamentos sobre a psicanálise. Atualmente tenho lido Teatros do Corpo e não passa despercebida as metáforas teatrais que ela usa como forma de visualizar cenas sutis do processo psicanalítico e do funcionamento psíquico de seus pacientes.

A sua perspectiva da situação analítica é extremamente humana. Ela não leva em conta o analista como um “ser de saber” que está alí para ajudar o paciente a se haver com seus conflitos. Mas enxerga a análise como uma relação a dois, bastante complexa que envolve tanto a mente do analisando como a do próprio analista, as expectativas, anseios e desejos de ambos. O reconhecimento de sua contribuição para desvendar os mistérios do universo psíquico a levou a India, convidada por Dalai Lama. Interessado em entender as contribuições de Freud no pensamento ocidental ela deu algumas palestras por lá.

segue um link de uma entrevista sua no ano 2000 sobre o que ela pensa sobre o adoecer e a vontade de entrar em um processo analítico na atualidade:

Entrevista Joyce Mcdougall, 2000.

Cindy Sherman, as coisas e as pessoas

19 out

Eu tinha acompanhado há alguns meses essa retrospectiva através do site do MOMA. Eles oferecem uma visita virtual pela exposição. Algumas das series de fotografias vem acompanhadas com comentários da curadora, Eva Respini, ou um tipo de release com informações e curiosidades sobre as peças. No link abaixo você entra direto na retrospectiva Cindy Sherman do MOMA e arrastando a barra de rolagem ficam as seções separadas por salas. No menu que fica na parte inferior é fácil encontrar o ícone de uma caixa de som com o áudio ou outro ícone para texto. Essas são as facilidade e maravilhas do mundo moderno para quem não está em NY.

http://www.moma.org

Os vários retratos são em maior parte denuncias de estereótipos. Ela se coloca na frente da câmera ou produz imagens que vão questionar ou ironizar os modelos e atores sociais, mas sempre através do corpo e elementos estéticos. O curioso é atentar para os pequenos detalhes ou sugestões que ela dá través de elementos da direção de arte das fotografias

Uma das séries mais antigas de meados de 1970, faz uma critica aos papeis possíveis das mulheres na sociedade. Ela se coloca nesses personagens e fotografa de maneira natural, o material poderia ser a foto de qualquer um.

Mais pra frente acompanha o mercado de consumo e seu papel sobre as mentalidades e comportamentos, criticando os valores excessivos que as comunidades dão as exigências da moda por exemplo.

Nas fotografias ela incorpora desejos, papeis, valores, imposições, tipos, afetos e mentiras. Critica lugares marcados e exigências do mesmo experimentando em cada forma, em cada mulher, em cada alegria ou em cada dor as várias facetas da uma personalidade humana que se desdobra cada um a sua maneira para tentar sobreviver a vida e aceitar os processos de envelhecimento.

Através das imagens ela sugere as ambivalências que cada sujeito humano carrega na sua “alma”. Porque nunca seremos um, somos tantos em meio ao tempo e nossa carne, abrigamos várias identidades dentro de uma só mente e ao mesmo tempo a diversidade nos faz únicos.

Tudo isso foi apenas pra dizer que essa mesma retrospectiva do MOMA vai chegar na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2013, sem data definida.